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Herbert Hette |
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O que mais me espanta é que publicações pornôs são normais em uns
grupos, enquanto o assunto política e futebol são proibidos nos mesmos, e
vice-versa. É comum, e mais comum, a proibição de pornôs nesses grupos cheios de
‘kkkkk’ para agressões de ‘brincadeirinhas’, tipo aquelas e essas, ‘vc é
feio d+’ ‘piranha branquela’ ‘Pepa, se enxerga’ ‘tnc macaco’ ‘princesa
Isabel é que é a culpada’ e tome ‘kkkkkk’.
Mas a revolução real só viria séculos depois com a comunicação interpessoal, independente de distância, pelo telégrafo em 1836, criação do americano Samuel Morse. Assim alguém lá na Cochinchina podia mandar um recado à família em qualquer calcanhar do judas que chegaria em incríveis dois ou três dias. E se estivessem no mesmo país poderiam receber o recado em horas, coisa inimaginável até então!
Aí veio o telefone em 1849 com o italiano Antonio Meucci, mas só
entraria no dia a dia das pessoas quase 30 anos depois com os aparelhos e
protocolos criados pelo escocês Graham Bell. Depois disso, chegou o rádio,
não como veiculo de divulgação, mas como intercomunicador pessoal. O
telefone e o rádio somavam essas invenções anteriores e outras como a pilha,
e no caso do rádio, as ondas da transmissão sem fio, invenção
também, já naquele dias, quase
secular do austríaco/americano Tesla, usada e patenteada espertamente pelo
italiano Marconi, considerado em nossos dias como o ‘inventor’ do rádio. Depois disso vieram os cinejornais, a TV, o computador pessoal e agora a
internet com seus anjos e demônios. O telefone celular, como o concebemos hoje, é também a fusão de várias
invenções anteriores, entre outras, o aproveitamento das ondas sem fio de
Tesla, mais os conceitos de Graham Bell, as baterias do italiano Alessandro
Volta criadas 80 anos antes que fizessem trabalhar a invenção de Antonio Meucci. Mais o
pc e a www. Aí sim, aconteceu a mágica. O celular, junto com a internet,
revolucionaram as relações humanas como nada antes nesses milhares de anos
de evolução desde os tempos imemoriais, e mais os últimos quinhentos anos,
digamos modernos, de luta e queima de massa cinzenta para chegarmos aos
kkkkk que temos hoje... é vergonhoso? hammm... nem tudo. É possível achar o lado bom nesse mar de besteirol. Os parabéns
intermináveis aos ‘nívers’ do dia, os afagos às vitórias pessoais da vida, as
rezas e palavras reconfortantes a entes queridos; a marcação de encontros,
as decisões de trabalho, etc. Tem também, nesse lado bom, os grupos de
famílias, os profissionais e os grupos de ajuda, em sua maioria, legais,
porém alguns acabam se estragando ao misturarem crendices ou organizações
religiosas, fabricantes de remédios, cartomantes, adivinhos, curandeiros,
feiticeiros, meretrizes, cafetões, etc, etc... Ou seja, ágar irresistível
para a proliferação de haters e armadilhas para os ‘menos avisados’.
Disse-me ainda, “um absurdo que a empregada doméstica de uma amiga
permita que sua filha adolescente, com os estudos atrasados e cheia de
namoradinhos, todos, inclusive ela, sem trabalho fixo, comprasse um modelo
de celular por 1600 dólares pagando em loooonnngass prestações”. Bem, posso ser eu também esse otário. É uma sensação que sinto toda vez
que pago algum imposto aqui no Brasil ou fico sozinho parado no sinal
vermelho enquanto todos passam lotados. Seria coincidência? Sinto o mesmo dentro desses grupos de mensagens
instantâneas. Me espanto a toda hora com as ofensas entre ‘pretensos’ amigos
e a cumplicidade do grupo. Logo em seguida vem um Salmo, uma imagem de santo
ou coisa parecida, e às vezes da mesma pessoa que num outro grupo acabou de
mandar um pornô, e tome + ‘kkkkk’. Isso quando não no ‘privado’ o mesmo cara lhe manda imagens de mulher
pelada e em seguida posta rezas e foto de santo
kkkkk - esses kkkk agora
foram meus.
O mais incrível é que a ameaça mais constante é justamente a expulsão do
grupo. Todo grupo ameaça um ou outro membro de expulsão como se fosse a
coisa mais essencial da vida ser membro de grupo. Adolescentes e até
marmanjos se sentem jogados no lixo ao serem excluídos de um grupo ou
bloqueados por alguém. Fazem escândalos, batem a cabeça nas paredes, querem
vingança e até adoecem. No entanto, grupos e listas de amigos de aplicativos são como na vida
real, vamos filtrando, peneirando o que se adéqua ou não em nosso contexto
de vida. Saímos de uns, entramos em outros e assim vamos caminhando,
selecionando e sendo selecionados. Simples assim. Mas, ainda assim, a Vida Virtual é uma coisa e a Vida Real é outra bem diferente.
Foi por essas e outras que se criou a saída pela tangente na postagem de
ideias que sabemos que não serão digeridas por alguns chatos: ‘pronto,
falei!’
Mas tem aqueles, que certos de praticarem uma boa ação, te voltam
para o grupo. (sic!) Não! Pelo amor de Deus! Se me tirarem de um grupo ou eu
sair, por favor, não me voltem!! Tem os grupos só de papo-cabeça, mas vai elogiar o presidente atual ou
falar mal do ex-presidente presidiário
kkkk O pau quebra! é pior
que postar uma piada pornô num grupo de família ou mandar um vídeo safado pra algum
moralista religioso kkkk
Neguinho acaba com as amizades, ‘as migas’ param de se convidarem
para festinhas e encontros em teatros e cinemas, outros saem do grupo. Dois
consensos: a maioria que sai, se arrepende, faz tudo para voltar e, são
aceitos, até aprontarem de novo. O outro consenso é que Gilmar Mendes é
bandido em qualquer grupo de não bandidos kkkk Num grupo que fui expulso, Bolsonaro é homofóbico e misógino; num outro,
que também fui expulso, Moro não é imparcial e está a serviço de Aécio e
FHC, e em outro que demorei a me livrar, os Bolsonaros são inocentes de
qualquer crime já imputado ou que venham a ser imputados
kkkk
É fantástica essa possibilidade inédita na história humana da
comunicação global entre as pessoas, que começou há 30, 40 mil anos quando
um cara imprimiu a palma da mão na pedra de uma caverna. É saudável e
divertido poder dar sua opinião sobre todos os assuntos e ouvir a opinião de
qualquer um, celebridade ou não, gente importante ou não, expert ou não. Não
interessa. Fundamental e revolucionário é todos terem o poder de postar e
falar sobre tudo e serem vistos e ouvidos. Transcendental é ouvir e saber
respeitar a opinião alheia. É poder mudar de ideia quantas vezes der na
telha. Transcendente é desfrutar do direito e do dever de transmitir a
própria opinião seja qual for e quantas forem. Esse é o grande lance das redes sociais, que sejam bem vindas para sempre! |
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