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A MÚMIA DO HERÓI |
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A MÚMIA DO HERÓI revisão Dalton Senaz editoração Ferdinando Blun projeto gráfico hh crônica |
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![]() Nesses vários séculos de escavações ilícitas no Egito, com poucas exceções, esta é a 1ª múmia fora das famílias reais a ser encontrada no Vale dos Reis completamente identificada, não só nos hieróglifos em papiros e esculpidos pela tumba, mas também pela identificação do próprio corpo da múmia. Desde sempre houve escavações no Egito. As múmias nunca tiveram paz. Ladrões de tumbas já vicejavam mesmo na época dos faraós, o que não foi diferente com nosso herói. No entanto, os danos causados por ladrões foram reparados ainda naquela época dos faraós; e em 1899, já nos nossos tempos, a tumba foi encontrada intacta. Além da múmia, foram catalogados sarcófagos com inscrições, máscaras mortuárias, estatuetas de divindades, arcos, flechas, lanças, potes com óleos e especiarias, vasos, rolos de papiros, peles, roupas de cerimoniais e de guerra, coleiras de cachorros delicadamente ornadas mostrando o seu amor a esses animais, etc. Tudo isso oferecia aos arqueólogos um bom sítio para pesquisas. Contudo, existe uma peculiaridade, foram encontrados objetos de épocas e reinados diferentes perfeitamente arranjados, mas sugerindo uma certa pressa, certa mistura desorganizada; o que levantou muitas dúvidas quanto ao período e origem do falecido. É possível que tenham cometido esses 'deslizes' no afã de se refazer a tumba de Maihirpre após o saque, repondo alguns objetos que foram levados e que fariam falta à alma do falecido na sua passagem para a vida eterna. Isso explicaria o 'empréstimo' de objetos de datação e estilos variados. ![]() Nessas suas escavações pelo Egito, o baixinho francês, de quebra, acabou por achar a Pedra de Roseta que trazia esculpida em suas faces uma mesma mensagem em três línguas faladas na época. Era a chave que faltava para se decifrar a língua dos faraós. Foi essa a contribuição visceral do autoproclamado Napoleão Bonaparte I ao mundo da arqueologia. A descoberta de seus escavadores possibilitou pela primeira vez a tradução dos hieróglifos egípcios e o entendimento de outros dialetos da antiguidade. ![]() Por um breve momento suspeitou-se que as referências nos papiros aclamavam um deus. Seria o único deus negro totalmente em forma humana revelado até agora no antigo Egito. Porém, o que se viu mais tarde, surpreendeu a todos. Parecia se tratar de um homem comum na casa dos 20 a 20 e poucos anos, enterrado numa tumba pequena, embora com pompa e circunstâncias, no Vale dos Reis, local de alta honraria reservada apenas aos faraós, rainhas, príncipes e princesas, altos sacerdotes, enfim, à elite dessa sociedade dividida em castas. Mas logo também, nos avanços das traduções e estudos, descobriram-se alguns de seus feitos heroicos, sua origem Egípcia-Núbia e seu título, o 'Leão no Campo de Batalha', o que equivaleria em nossos tempos a 'Leão de Guerra' ou 'Leão Guerreiro'; e detalhes da múmia em si, como por exemplo, o cabelo era na verdade uma peruca muito bem trançada e colada ao couro cabeludo raspado cuidadosamente. Usar perucas era uma prática normal naquela sociedade, por razões estéticas, facilidade no manuseio e cuidados de higiene, já que ao microscópio vários cabelos de múmias apresentaram vestígios de parasitas como piolhos e lêndeas. Ele seria o maior e melhor guerreiro do então faraó Tutmés IV (ou Tutmósis IV da XVIII Dinastia, 1401 a 1391 a.C.) As causas de sua morte e em quais circunstâncias, ainda são um mistério e motivo de mais estudos pelos próximos anos E como não poderia deixar de ser, há polêmicas e teorias em torno de quem realmente seria Maihirpre. Seria filho do faraó com alguma concubina núbia? Seria filho de algum reino conquistado e criado como príncipe, mas eterno refém? Seria do tempo de Amenhotep III e não Tutmósis IV? Seria um soldado, guarda-costas, amante? Seria ele 50% preto? 50% caucasiano? 100% núbio? etc. etc. etc. Seria ele originário legítimo das terras KMT ? * Sabidamente a Núbia era nesse tempo um império de Reis Pretos que dominaram toda a região tornando-se uma das maiores nações negras de sua época. A Núbia chegou a dominar o grande Egito por mais de um século. Depois caiu fragilizada por disputas internas e guerras intermináveis contra os próprios egípcios e outros povos. Como sempre fora um comportamento típico da humanidade buscar conquistas a qualquer preço, em qualquer lugar, cada um por seu turno conquistou, saqueou e escravizou também a Núbia; os próprios egípcios, gregos, romanos, árabes, turcos... e finalmente, ingleses. Cada um desses invasores cairiam mais tarde ou perderiam seu poder de dominação corroídos por inúmeras guerras que travavam aonde fossem. Bastava encontrar alguma coisa de interesse. E esse 'interesse' era bem amplo - até nos dias atuais. Inclui pessoas, animais, comida, minérios, tecnologias, e claro, água potável, terras fertéis ou simplesmente o poder. ![]() A Rainha de Sabá, descrita como dona de uma beleza estonteante e de riqueza imensurável, aparece numa única narrativa do Velho Testamento e mais nada. Seus domínios passariam pelas terras da Etiópia, Iêmem, Sudão e Egito. A rainha chegou com gigantesca comitiva em magníficas embarcações ao palácio suntuoso do Rei Salomão trazendo quatrocentas e tantas toneladas de presentes, à princípio, à convite do rei e atraída pela sua propagada sabedoria. Porém corre uma fofoca brava que ela teria sucumbido ao velho charme do glorioso Rei depois de passar com ele vários meses em tão magnífico palácio. A Rainha de Sabá só teria voltado ao seu reino depois de se engravidar do velho monarca. O filho da Rainha de Sabá com o Rei Salomão foi conhecido pelo nome de Menelik - o primeiro Imperador da Etiópia. Salomão era filho de Davi - o matador de gigantes, e a mãe, Bate-Seba (ou Betsabé, Betsabá, etc.) era casada com outro cara quando engravidou-se do rei, que armou um esquema para assassinar o marido de Bate-Seba e esconder o escândalo do adultério e 'herdar' a mulher. O nome Salomão em hebraico é Shalom que significa Paz. Apesar de ser atribuído a ele um enorme talento de estrategista militar, procurava não se envolver 'diretamente' numa guerra, dando preferência à diplomacia e truques políticos mirabolantes e escamoteados, que alcançavam todo e qualquer recurso, desde assassinato, tortura, propina, terrorismo, injúrias, traíções, propaganda mentirosa e sevícias mil. Talvez tenha vindo daí a sua fama de sábio e ter, segundo as escrituras israelitas, aglutinado a maior riqueza que um rei abocanhou em qualquer tempo. A Rainha de Sabá tem muitos nomes, que nunca são citados nas escrituras judaicas, mas aparece no livro das 'Glórias dos Reis' etíopes o 'Kebra Nagast' que teria mais de sete séculos de idade. É muito respeitado pelos Rastafaris e os ortodoxos da igreja etíope. A Rainha de Sabá nos textos israelitas é Makeda para os etíopes, Nicaula para os romanos, e Balkis, e Bilki para os árabes, entre outros. Ela seria descendente de Cem, filho de Noé - o cara da arca. Noé era neto de Matusalém - o velho, que por sua vez era tatara-tatara neto de Adão - o cara da cobra, da maçã, do paraíso e de Eva, todos filhos de Deus. Apesar disso tudo, apesar de todas essas riquezas e belezuras esfuziantes, e mais a pompa em citações milenares, em versos e prosas eloquentes, não há nenhuma evidência física, nenhuma prova arqueológica irrefutável da existência dessa gente. Nem de Davi, nem de Salomão, nem de seus lírios, nem de suas tão badaladas minas, nem infelizmente da Rainha de Sabá, e muito menos de todos antes deles. Mas, por incrível que pareça, existem provas da existência de um cara que não era nada disso. Não era rei e nem tinha o nome nas escrituras. Seria apenas dono de uma coragem absurda, de um vigor físico esplêndido e um talento nato para a batalha: Maihirpre - o Leão de Guerra. ![]() Outra ameaça paira sobre esses mal estudados despojos arqueológicos, a construção da hidrelétrica em Meroe - a represa de Assuã - que vai cobrindo uma extensão de mais ou menos 500 km de terra. Destruirá para sempre uma civilização dona de um idioma e uma escrita que ainda nem foram decifrados e que cuja história ainda, também, não foi completamente entendida e contada. Toda essa espetacular cultura poderá se perder para sempre. Terminariam ali enterradas e alagadas de vez as ruínas dessa importante civilização? Esse é o fim das evidências de Núbia, o magistral reino dos faraós negros? Ou seja, depois disso, qual o valor de décadas de debate sobre o quanto do DNA desses povos seria africano ou europeu? Bem, enquanto isso, a nos consolar, vamos honrar Maihirpre - o africano guerreiro, o herói de 4 mil anos, porque ele pode ser, ou continuar sendo, a nossa única perspectiva ancestral de toda uma valorosa, milenar e brava gente. |
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